quarta-feira, 4 de agosto de 2010

E o sul de Mato Grosso foi às armas!




09 de Julho é feriado em São Paulo. É quando se comemora o início da Revolução Constitucionalista de 1932. Tudo para em respeito aos que lutaram e tombaram nesse conflito, que não visava a separação de São Paulo do Brasil (como difundiu a propaganda difamatória de Getúlio Vargas), mas o contrário. Irrompeu‐se a luta armada buscando uma nova Constituição para o país, para tirá‐lo do atraso, da insegurança jurídica e do despotismo federal pós‐Revolução de 30.

O coração bandeirante ainda bate forte, 78 anos depois, em razão dos feitos de seu povo que, em alguns pontos, antecipou os acontecimentos que ocorreriam quase dez anos depois, durante a Segunda Guerra Mundial (1939‐1945), na Grã‐Bretanha e nos Estados Unidos da América: toda a economia voltada para a guerra; mulheres substituindo os homens em tarefas industriais, pois estes estavam nos campos de batalha e o mais emocionante, a mobilização voluntária de toda a sociedade para o conflito. Em 3 dias, mais de 30.000 homens se alistaram nas fileiras paulistas!

São Paulo, em defesa da Constituição, produziu, improvisou e adaptou de tudo: granadas, capacetes, munições, morteiros e canhões. Uma imensa rede de civis auxiliava os soldados, não deixando que nada lhes faltasse, até o limite dos suprimentos, cuja escassez foi um dos motivos de os paulistas terem perdido o conflito. Senhoras cosiam meias e toucas, pois era julho, inverno. Escoteiros levavam correspondências. E é justamente um escoteiro o mais jovem soldado morto em combate na Revolução de 32, ALDO CHIORATTO, de 9 anos e meio de idade, morto durante bombardeio aéreo em Campinas.

Entretanto, poucos se lembram que não só São Paulo foi às armas. O sul do Mato Grosso também foi! Campo Grande, Bela Vista, Ponta Porã, Porto Murtinho, Ladário, Três Lagoas, Paranaíba, Coxim enviaram tropas ou foram palcos de combates nos quais até aviões foram utilizados em ataques às tropas adversárias.

Alguns historiadores chegam a citar mais de 3.000 homens envolvidos diretamente nas lutas no território do Estado de Maracaju, nome adotado pelo sul do Mato Grosso durante o conflito. Era o sonho divisionista que se concretizava por via das armas e que durou enquanto duraram suas munições: três meses.

E justamente por conta da necessidade de abastecimento; em virtude de o porto de Santos ter sido bloqueado por navios de guerra leais a Vargas, é que restou como a única alternativa paulista de abastecimento e escoamento a utilização da antiga rota de suprimentos das terras localizadas no centro da América do Sul: Rio Paraguai ‐ Rio Paraná ‐ Estuário do Prata ‐ Oceano Atlântico, cujo principal ponto logístico possível de controle pelos constitucionalistas era a cidade de Porto Murtinho.

Para lá se dirigiu a famosa Coluna de Bronze, formada por constitucionalistas do sul do Mato Grosso, que utilizaram dois canhões de montanha franceses Schneider, de 75mm. Como parte do suporte paulista ao avanço de seus aliados mato‐grossenes para tomar a cidade, enviou‐se um caça Curtiss Falcon, que atacou as tropas federais nos arredores de Porto Murtinho. Dias antes, os paulistas já haviam bombardeado a Base Naval de Ladário, com o mesmo tipo de aeronave.

As tropas legalistas, com mais de 1.200 combatentes, contra‐atacavam os constitucionalitas da Coluna de Bronze com pesado fogo dos canhões e morteiros do Monitor Fluvial Pernambuco. Segundo cronistas da época, como Umberto Puiggari, a batalha por Porto Murtinho a adjacências deixou mais de 300 mortos e a cidade parcialmente destruída.

Já as forças que combateram em Três Lagoas e Paranaíba, conseguiram impedir que reforços do norte do Mato Grosso e Goiás cercassem as forças bandeirantes. J. Barbosa Rodrigues comenta que ali também os combates foram ferozes.

E em território paulista, no teatro conhecido como Frente Sul, forças do Batalhão Taunay, de Campo Grande e do 11º Regimento de Cavalaria, de Ponta Porã, lutaram para impedir que tropas vindas do sul do país entrassem em São Paulo.

Com efeito, 09 de Julho é uma data que também afetou a vida dos habitantes das terras hoje sul‐mato‐grossenses. Segundo o ex‐Governador de Mato Grosso do Sul, Wilson Barbosa Martins, o clima na cidade de Campo Grande era de empolgação. Os professores iam dar aulas de farda e capacete. Mais de 800 homens se apresentaram para alistamento num único dia.

Os combatentes do sul do Mato Grosso eram em sua maioria, soldados-cidadãos: homens comuns, de diversas profissões. Havia brasileiros e paraguaios; descendentes de japoneses, libaneses e alemães; índios, negros, brancos, pardos. Foi a nossa pequena guerra mundial, onde todos os povos que aqui moravam pegaram em armas para a defesa da legalidade.


Como lembra Puiggari, a insegurança jurídica no sertão sul do Mato Grosso era tamanha que até juízes eram intimidados com os famosos “saltos”: sua transferência de comarca quando incomodava algum apadrinhado do governo getulista.

Mas a superioridade numérica governista era evidente e depois de três meses de combates, São Paulo capitulou. No início de outubro de 1932, os paulistas cessaram fogo ... mas o sul do Mato Grosso não. Aqui a luta durou até o fim daquele mês, quando a cidade de Bela Vista se entregou ao Tenente‐Coronel Francisco Gil Castelo‐Branco.

E diferente de São Paulo, lamentavelmente em Mato Grosso do Sul, especialmente em Campo Grande, pouca coisa existe hoje que lembre estes feitos. Daquela época ainda estão de pé (e não se sabe até quando) o prédio do Quartel‐General, na Avenida Afonso Pena, de onde partiram as primeiras ordens do General‐de‐Brigada Bertholdo Klinger, Comandante Militar do Movimento; a loja Maçônica da Avenida Calógeras, que sediou o Governo do Estado de Maracaju, tendo como Governador o Dr. Vespasiano Martins; o canhão Schneider de 75mm na frente do 2º/9º BSup, que acompanhou a Coluna de Bronze; o quartel do 18ºBLog, que sediou o 18º BC, cujos soldados lutaram bravamente em diversas frentes. Será que tais monumentos não mereceriam ao menos uma placa indicativa? Fazendo justiça ao prédio maçônico, ali há uma, colocada por iniciativa própria da entidade. Mas e nos demais pontos?

Enfim, mais um 09 de Julho em São Paulo, quando os paulistas honram seus combatentes‐cidadãos. Mais um 09 de Julho em Campo Grande, que parece fazer questão de esquecer sua história de pouco mais de 100 anos, por descaso.

Publicado no jornal Correio do Estado, 09 de julho de 2010.

sábado, 8 de maio de 2010

Capitanismo ou atuação gramsciana no Exército?

Por Luiz Eduardo Silva Parreira

Para quem ainda tinha esperanças de que a AMAN estava descontaminada pelo "verme do militar melancia" (aquele que é verde por fora, mas vermelho (comunista) por dentro); para aqueles que ainda sonhavam que a doutrinação do Exército Brasileiro (EB, hoje deveras fraca, diga-se de passagem) esclareceria suas fileiras; aos que ainda supunham que as Forças Armadas saberiam conter o inimigo socialista, eu sinto muito, mas ESTÁ TUDO DOMINADO.

Há alguns meses o serviço secreto colombiano informou que havia bolivarianos infiltrados na Força Aérea Brasileira. De que as FARC-EP tinham gente sua dentro da FAB (http://www.alertatotal.net/2009/02/coronel-colombiano-denuncia-infiltracao.html).

Agora isso: Da coluna do Cláudio Humberto

“Pró-Dilma
Alvo da ira de militares por apoiar em seu blog a candidata petista Dilma Rousseff, o capitão do Exército Luís Fernando Ribeiro, 32 anos, será investigado pelo Ministério Público Militar, por suposto "crime militar". No blog, ele aparece abraçado a Tarso Genro, candidato petista ao Governo gaúcho. Ribeiro é pré-candidato a deputado federal pelo PT e alega "perseguição política". Ironiza: "Vou pedir asilo político ao Lula."

Novas ideias
O capitão Luís Fernando Ribeiro diz que a sindicância dele, iniciada em 2009, "foi arbitrária". Ele defende o ingresso de gays no Exército.

Continuidade
O milico petista diz que apoia Dilma pela "manutenção da estratégia de Defesa" de Lula e condena os "radicais" que rejeitam a ex-guerrilheira.”

O blog do elemento: http://capitaofernando.blogspot.com/2010/04/capitao-afirma-que-democracia-pode.html

Denominaram o movimento de capitanismo (evolução do tenentismo?). Só ai já se vê que a coisa tem base filosófica, pois não é algo "no ar", há um nome, mote, herói, líder, a seguir, a buscar, a se filiar ... E digo mais, pelo que sinto do EB, ele não está preparado para segurar esse movimento. Vai chover ações de indenização que o farrá arriar e ai é o fim mesmo. Comandantes vão ficar com medo de se manifestarem, pois sabem que a força os vai abandonar quando precisarem (pois já faz isso. Olha o pessoal de 64 levando no lombo sozinhos ...).

E a culpa de tudo isso é do próprio Exército, que não instrui melhor seus quadros.

Vai ser a oportunidade de verificarmos se o EB aprendeu alguma coisa com a revolução de 64 e de como lidar com esse tipo de ameaça: usar o judiciário e a máquina administrativo-disciplinar quando alguém desrespeitar seus códigos e a Constituição.


Tem de envolver a AGU, seu corpo jurídico, esclarecer os fatos e embasar seus atos: pronto, acabou o movimento. O silêncio e a ocultação só o alimentam.

Mais um dado sobre o capitanismo: fonte: http://militarlegal.blogspot.com/2008/12/o-capitanismo-sob-ataque.html

"GENERAL RESPONSÁVEL PELAS TRANSFERÊNCIAS DOS MILITARES CANDIDATOS PODE TER QUE PAGAR DO SEU BOLSO R$ 3.600.000,00, POR ESTE ATO ILEGAL.

O Ministério Público Federal (MPF) e entidades de Direitos Humanos estão investigando suposto ato ilegal, com desvio de finalidade, do Exmo Sr Diretor de Cadastro e Movimentações (DCEM) do Exército.Em outubro do corrente ano, cerca de 60 militares da ativa do Exército foram candidatos à cargo eletivo, e quando por ocasião de sua reversão ao serviço ativo às suas Organizações Militares (OM) de origem esses militares foram sumariamente transferidos cada um para um canto do País, pela DCEM, órgão ligado ao Departamento Geral do Pessoal (DGP).

O Capitão Luís Fernando Ribeiro de Sousa(capitaoluisfernando@gmail.com), um dos líderes do Movimento Capitanismo, denunciou essa manobra, um ato maculado de ilegalidade ao MPF, em Porto Alegre - RS e, ainda vem promovendo várias medidas judiciais e políticas para reverter essa tentativa de desarticulação política dos militares.

O objetivo dessas transferências é bem claro : dasarticular as bases políticas dos próximos candidatos a deputado federal, uma vez que essa é a próxima intenção dos líderes do Movimento Capitanismo : lançar "um cara por Estado" à deputado federal em 2010.

Conservadores e não adeptos à onda democrática, alguns militares ligados por conceitos ideológico à época da Ditadura Militar resistem como podem no sentido de frear o curso natural do rio.Um exemplo disso ocorreu no 19 o Batalhão de Infantaria Motorizado (19o BIMtz), com sede em São Leopoldo-RS, quando o seu comandante, TC Hegel impediu o advogado (Dr Vilmar Quizzepe) de um sargento que acabara de ser preso de se comunicar com seu cliente. Não obstante a não aceitar que não haja mais presos incomunicáveis em nosso País, o Sr TC Hegel ainda reuniu os oficiais e disse-lhes que não era para cumprir qualquer decisão judicial nesse sentido, caso o oficial de justiça viesse com algum Salvo Conduto.

Outro fato marcou a tentativa de frear o impulso democrático que toma força nas Forças Militares Brasileiras, quando pessoalmente e reforçado por 03 (três) sargentos especialistas, compareceu no AGGC, OM onde serve o Capitão Luís Fernando(FOTO), nada menos que o responsável pela Contra-Inteligência do EB, o Sr TC Farah, do Centro de Inteligência do Exército (CIE), exatamente 2 dias após as denúncias formais do referido capitão ao MPF.

Medidas de contra-inteligência foram rapidamente tomadas para frear a divulgação que hoje se tormam públicas, em especial uma medida muito parecida a já tomada na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), em 2007, quando o referido capitão lá era aluno: o de restringir o acesso a internet a servidores do Arsenal de Guerra de General Câmara (AGGC).

As transferências sumárias ilegais dos militares-candidatos, com desvio de finalidade, estão sendo acompanhadas pelo MPF, por uma Comissão de Deputados Federais e por entidades de Direitos Humanos para que este caso não tenha consequências pessoais ao cidadão que fez essa denúncia, tentando transformá-lo como "indigno para o oficialato", ou que "promoveu desgaste à imagem da força" e por consequência levá-lo a um Conselho de Justificação e sua exclusão do serviço ativo.

Foi aberto e subtamente revogado pelo Diretor do AGGC, TC Clóvis Eduardo Godoy Ilha, um FATD (Formulário de Apuração de Transgressão Disciplinar) contra o Capitão Luís Fernando e em seguida aberta uma sindicância pelo Exmo Sr General Comandante da 3a Região Militar, eivada de ilegalidade, pois o referido oficial não é nem sindicado, nem sindicante, nem testemunha desse procedimento administrativo , que tem a finalidade de apurar tais denúncias".

É ver e esperar. Um "cara por estado" ... e eles afirmam que vão defender quem? O interesse dos militares? Claaaro ...


Creio que esses capitães andaram assistindo "Capitães de Abril" demais. O que também serve de alerta, porque aqueles capitães é que executaram a Revolução dos Cravos, mas ao final, entregaram o poder a quem realmente podia mandar. Ou seja, tem "peixe grande" nesse lago. 

Existiu um paraíso socialista na Europa?

Por Luiz Eduardo Silva Parreira


De se rememorar que a questão do esfacelamento do bloco vermelho ocorreu porque a Hungria abriu suas fronteiras para o Ocidente. Vinha gente de Vladivostok para comprar sorvete e calça jeans no Ocidente. E isso foi em 1989. Se nesse ano, atrás da cortina de ferro, se escondia tudo quanto é tipo de sujeira e se falsificava todo tipo de dado (até 1991, os casos de AIDS oficialmente reconhecidos pelo governo soviético eram ínfimos e os infectados, claro, "tinham vindo do ocidente"), imagine no pós-guerra e na década de 50? Aquilo era “stone age”, pois além de terem de reconstruir o que a guerra já tinha destruído, ainda o era sob o julgo soviético, “doce e amável”.

O pensamento materialista-positivista soviético esqueceu-se da natureza humana, aquele “senso de irracionalidade” capaz de ignorar o mais poderoso e claro pensamento racional. E o que mais o espírito humano busca é a liberdade, justamente o preço que o comunismo cobra para que possa implantar seu Estado edênico.


No filme “Adeus, Lenin”, nota-se perfeitamente uma Alemanha Oriental com nível de vida muito bom, as pessoas com dinheiro, mas ... faltava um “detalhe”. O filme, inteligentemente, mostra como o dinheiro não significava muita coisa na economia socialista real, quando o filho chega para aliviar a dor da mãe moribunda e diz: Mamãe, fomos agraciados com o carro que compramos! E ela responde: nossa, foi rápido, né!? Só três anos esperando!!! (não nessas palavras, mas nesse sentido). Não era sarcasmo. Ela realmente estava impressionada com a "rapidez" da entrega!


Mas esse mesmo Estado que “dá tudo ao seu povo”, fazia visitas nada amistosas àqueles que tinham parentes que viajavam demais para o exterior. Além de cercar o país todo, literalmente, porque para o governante vermelho, o povo é uma criança que precisa de cuidados e por isso proíbe tudo que se relacione ao exterior, já que não o controla.


Viviam como se no Brasil de hoje: um “líder” amado pelas massas sem nunca ter feito nada de concreto que não o assistencialismo banzé; dentro das fronteiras era passado como se tudo fosse um mar de rosas, com o mundo afundando e o país na crista da onda; os índices de melhora de vida eram apresentados como todos elevadíssimos nos papéis, mas ao se virar o rosto e encarar a realidade, o dado não batia com o dia-a-dia; mesmo havendo vozes destoantes, falar alto e claro contra o partido era quase um pecado (e muito perigoso) e por ai vai. Durou 70 anos ... aqui mal começou ... e não temos uma Alemanha do lado, só "Hungrias", "Romênias", "Albânias" ... o Triste é saber que – no nosso caso - a Alemanha ... somos nós!!! E agora, José?

O expansionismo alemão até a Segunda Guerra Mundial

Por Luiz Eduardo Silva Parreira


No século XIX surgiu a filosofia socialista. Um aglomerado de fatores culminou num pensamento no qual a forma como o mundo estava explorando suas riquezas e pessoas deveriam ser repensadas; porém, sem qualquer raciocino escolástico, somente humanista.


Assim, o socialismo tinha como pontos principais de seus ideais: o trabalhador, o pobre, o explorado, etc. Logo, se havia o oprimido, tinha de haver o opressor, que para os socialistas eram: o patrão, o rico, o explorador, etc.


Deve-se entender que os socialistas imaginavam uma vida melhor para aqueles. Mas não o melhor segundo os ajudados, mas sim, segundo o pensamento socialista.


Das maneiras de se implantar o socialismo, nasceram diversos movimentos, dentre eles o Comunismo e mais tarde, o Nazismo.


Entre os socialistas, estavam aqueles que pensavam numa mudança radical de tudo que existia, para que suas ideias pudessem ser aplicadas. No caso comunista, dentre outras brutalidades, figurava a perseguição às igrejas - já que o Estado deveria ser o ente que o cidadão deveria seguir sem questionar.


O comunismo - num primeiro momento - precisa do ESTADO para aplicar suas ideias, porque a reviravolta social que impõe jamais aconteceria naturalmente. Qualquer livro que explana sobre a imposição do comunismo em algum local não se envergonha de confessar que a violência é necessária para fazer o "ajudado" ver que a visão comunista vai salvá-lo e a todos e tudo.


Já o nacinal-socialismo (nazismo) pensava em NAÇÃO. Nesse caso, não era o Estado o principal, mas aquele elã que ligava um povo. Por isso tinham a ideia de que não importava onde estivesse um alemão, ele era alemão. E onde ele morava - não importando onde fosse também - ali passaria a ser parte da Alemanha.


E ainda entrava nesse conjunto explosivo de ideias coisas como raça superior, espaço vital, tudo para que a nação ariana vivesse confortavelmente. Por isso um mexicano no filme "das Boat" e um americano, no seriado "Band of Brothers". Antes de serem mexicanos ou americanos, eram alemães, pelo pensamento de nação.


É um dos motivos de perseguição aos judeus - além daqueles comumente conhecidos. O Judeu é judeu onde estiver. Daí entenderem que isso fazia com que um judeu jamais pudesse ser um alemão, por mais loiro e com "cara quadrada" que fosse. E deu no que deu, lamentavelmente!


Mas enfim, todos esses pensamentos socialistas pregavam uma melhora de vida, melhores condições de trabalho, mais dignidade; porém, mesmo sendo objetivos ambiciosos, cobravam um alto preço sem qualquer concessão. Ora, o socialismo como filosofia é doce; bem diferente do caminho a percorrer até o "paraíso na terra", que nenhum país socialista atingiu. O que é até lógico, pois, se se chegar ao final do caminho, acaba o poder e esse – para quem o exerce – é mais doce que o socialismo.


Aliás, a questão de democracia só vingou depois da Segunda Guerra Mundial. Antes, ser ditador ou pregar partido único não assustava tanto as populações. E o comunismo e o nazismo acreditavam nisso; fazia parte do pacote socialista.


Logo, quanto ao expansionismo alemão, ele já vinha há pelo menos 100 anos - com erros e acertos. E somado ao pensamento nacional-socialista - do alemão ser alemão onde estiver - exigiram os Sudetos, Danzig, na Polônia e depois se voltaram para as terras do leste, que eram muito boas para ficarem "nas mãos dos eslavos". E os alemães sabiam como era a URSS porque antes da guerra a Alemanha e a URSS eram aliadas. Tinham assinado, dentre outros, o Tratado de Rapallo, em 1922, que permitiu aos alemães treinarem na URSS, por exemplo. Os Alemães aprenderam algumas técnicas aeroterrestres com os soviéticos, e por ai vai.


A ideia de espaço vital nasceu de um sueco, Kjellen, mas que a Alemanha sorveu cada milímetro. Um dos difusores dessa ideia na Alemanha foi Ratzel, que pregava que o Estado era um organismo vivo que se alimentava de territórios. Portanto para o Estado, território é um espaço vital. Isso tudo culminou no determinismo, no qual um espaço era visto "a ser dominado" (alguém ia dominar, então, que seja eu). Há até uma máxima: o determinismo precisava dominar o meio, logo, não tinha tempo de modificá-lo. E disso saiu toda aquela coisa de que o espaço determina o homem e coisas do gênero.


Portanto, para que as fábricas alemãs tivessem recursos para voltarem a ser um parque monstruoso como no início do século XX, para que seus trabalhadores tivessem melhores condições de vida; enfim, para que o Império nazista fosse o máximo, se os outros tivessem de ser escravizados, dizimados ou excluídos, tudo bem. E para isso a expansão territorial era inevitável e a guerra também. O espaço vital já vinha no pacote alemão antes do nazismo, o qual executou aquela vontade e deu no que deu.


Interessante notar que outros países também acreditavam em dominar partes de outros e se mostravam agressivos para isso. Quem rosnasse mais, era visto como melhor. Depois da Segunda Guerra Mundial, a coisa mudou. Não era "politicamente correto" ser malvado. E isso refletiu nos países na mudança de alguns detalhes, como naqueles que tinham o Ministério da Guerra, que passaram a ser Ministério do Exército, da Defesa. Tudo a mesma coisa, mas agora mostrando os dentes sorrindo, não rangendo.



sábado, 6 de março de 2010

"Altered Statesmen: Churchill", (Discovery Channel, 2007)

Por Luiz Eduardo Silva Parreira

O Discovery Channel já foi imperdível. Mas, vez por outra, se redime e transmite documentários sensacionais.

Um desses é o "Altered Statesmen". O objeto da série é mostrar o "backstage" da vida de grandes líderes mundiais; o seu lado humano, fraco, titubeante. E o primeiro episódio não poderia ter escolhido pessoa melhor: Winston Churchill.

O episódio deslinda fatos como o forte temperamento de Churchill, seus problemas com o que denominava "black dog" (sua depressão), a tentaçã etílica e o ponto mais controvertido: sua suposta personalidade bipolar.

Mas, controvérsias à parte, esta biografia - um tanto psiquiátrica - de Churchill revela aquilo que sempre admiriei nele: venceu, chegou onde queria, sempre se mostrando e sendo um ser humano; não escondendo seus defeitos (não que os quisesse mostrar, apenas não conseguia escondê-lo).

Não pretendia passar a idéa de um super-homem ou um predestinado, como Hitler. Ao reverso, sua ambição (coisa totalmente diferente de ganância) sempre o impulsionava a pensar grande. E se tornou aquele que ousou desafiar Hitler em 1940, quando a Alemanha parecia invencível, dando esperanças de que os nazistas podiam ser derrotados.

Ou seja, só conseguiu isso porque o Churchill que existia na sua cabeça se materializou quando se elegeu primeiro-ministro inglês.

Entretanto, isso não aconteceu por acaso. Foi uma luta constante do homem Churchill atrás de si mesmo. Errou várias vezes, perdeu outras tantas batalhas da vida, mas no final, não só conduziu a Grã-Bretanha à vitória, como voltou para uma segunda estada em "10 Downing Street", desta vez advertindo o mundo contra o perigo comunista. O termo cortina de ferro, aliás, foi cunhado por ele, no seu discurso proferido no Westminster College, no Missouri, em 5 de março de 1946 e que pode ser lido aqui.

Um ótimo documentário, que faz com que se admire ainda mais este grande estadista do Século XX.

sexta-feira, 5 de março de 2010

"The War Game" (BBC,1966)

Por Luiz Eduardo Silva Parreira

O século XX foi a adolescência da humanidade. Nesse período se abusou de tudo, se fez de tudo. A pior delas, depois do Comunismo1, - sem dúvida alguma - foi o jogo denominado Guerra Fria, no qual os "players" podiam literalmente torrar o planeta mais de 10 vezes, se algum deles pensasse que outro estivesse despejando milhares de ogivas nucleares sobre sua cabeça.


Foi justamente o medo da retaliação nuclear que impediu que essa guerra de nervos esquentasse.


Hoje, mais de cinquenta anos depois, muitos não entendem o porquê se tenta desestimular o Irã de fabricar sua bomba atômica. Após décadas tentando controlar a disseminação de armas nucleares em todo país que via nesse ato um gesto de poderio, de grandeza; deixar extremistas religiosos no controle de tamanho poder é voltar à insegurança que se vivia em 1960. Um preço caro demais.


O docudrama (termo terrível) feito pela BBC, em 1966, "The War Game", mostrou com tamanho realismo como seriam as consequências de um ataque nuclear na Inglaterra, que sua veiculação só foi permitida mais de 20 anos depois.


Horror atrás de horror. Para se ter uma ideia, quem morresse nos primeiros instantes da guerra nuclear poderia ser considerado um sortudo! Os que sobrevivessem, teriam de lutar contra radiação, ondas de choque, tempestades de fogo, milhares de mortos nas ruas, falta de alimento, de remédios e de esperança.


Evacuações forçadas pelo governo de Sua Majestade separariam famílias que, quiçá, jamais voltariam a se ver. A prioridade era dar sobre vida àqueles que poderiam reconstruir o país no futuro; portanto, crianças (força de trabalho) e mulheres (reprodutoras). Os homens de 18 anos em diante, seriam empregados nos combates militares e no controle dos inevitáveis distúrbios civis por comida e abrigo.


Importante destacar que o documentário mostra os efeitos - além dos físicos - psicológicos numa geração de pessoas que teria a responsabilidade de reconstruir a sociedade em que viviam quase que da estaca zero.


Enfim, lamentavelmente, é um documento atual, pois, agora, serve de reflexão para que se apóie os atos mundiais que visam impedir que o Irã obtenha sua força nuclear.


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1 - Textos sobre o comunismo podem ser lidos aqui.

quinta-feira, 4 de março de 2010

"The Saddam Family" (A&E, 2004)

Por Luiz Eduardo Silva Parreira

O Iraque é um país do Oriente Médio. Sua capital, Bagdá, é banhada pelos rios Tigre e Eufrates; a Mesopotâmia. Lá foi o berço da humanidade. É a terra de Abraão e de Nabucodonosor. Terra dos jardins suspensos da Babilônia.

Mas todos se lembram do Iraque da época da I Guerra do Golfo, quando invadiu o Kuaite¹, em 1991. Presidia o país neste último período o ditador Saddam Hussein.

Husseim ainda participou como presidente da II Guerra do Golfo, quando foi deposto, em 2003.

Criado dentro dos fortíssimos laços de irmandade proveniente da tradição dos clãs, seu governo mantinha parentes próximos em postos-chave.

Mas o seu círculo mais próximo, formado pelos filhos e esposas, é que objeto do documentário, sendo que a figura de destaque o filho mais velho de Saddam, Uday.

Saddam era um assassino frio. Mandou executar seus opositores sem qualquer remorso e quando chefe da polícia secreta, levava seus filhos homens para assistirem as sessões de tortura praticadas contra aqueles que ousavam desafiar os socialistas do Baath, seu partido político. E Uday saboreava cada segundo. Admirava Hitler e Stalin.

Este monstro cresceu convicto de que era intocável - filho do ditador - e por isso cometeu barbaridades: mandou matar moças que se recusaram a namorar com ele, estuprou meninas de 13 anos; pobres, da periferia de Bagdá. Usava drogas e quando bêbado, atirava a esmo na direção de pessoas, só por diversão. Há uma cena no filme que inclusive mostra um momento desses. Era um sádico e louco que pensou que conseguria fugir do cerco feito pelos aliados em Mosul. Resisitiu e foi morto, jundo com o irmão, Qusay, que estava sendo preparado para assumir o lugar de Saddam.

A Bagdá dos anos 80 era o "playground" dos Hussein: carros caros, viagens, palácios e jóias. Tudo parecia que jamais teria fim. Mas nada é para sempre.

E Uday foi o pivô do primeiro desastre familiar. Seus cunhados, generais do Exército Iraquiano, que haviam fugido para a Jordânia e lá revelado alguns segredos do regime; sob a promessa de Saddam de que poderiam voltar, pois perdoados, foram mortos pelos filhos do ditador dias depois de terem cruzado a fronteira.

Hoje suas filhas moram na Jordânia, com seus netos. Vivem supostamente do dinheiro sacado às pressas dos bancos de Bagdá, antes da invasão de 2003, pelo ditador.

O filme termina com as cenas da captura de Saddam e sua inspeção médica. Foi produzido em 2004. Dois anos depois, Saddam foi sentenciado à forca, como seus inspiradores nazistas.

Muito bom o documentário.
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¹Escrita adotada pelo Itamaraty.